E porque ontem foi um dia de grande perda para Portugal, especialmente para a Poesia e Literatura Portuguesas... Combinámos homenagear o poeta Manuel António Pina. Ora vejam.
Biografia
Licenciou-se em Direito
em Coimbra
e foi jornalista do Jornal de Notícias durante três décadas,
tendo sido depois cronista do Jornal de Notícias e da revista Notícias Magazine.
A sua obra incide principalmente na poesia e na
literatura infanto-juvenil, embora tenha escrito também diversas peças de
teatro e de obras de ficção e crónica. Algumas dessas obras foram adaptadas ao
cinema e TV e editadas em disco.
A sua obra
está traduzida em França (francês e corso), Estados Unidos, Espanha (espanhol,
galego e catalão), Dinamarca, Alemanha, Países Baixos, Rússia, Croácia e Bulgária.
Faleceu no Hospital de Santo António no Porto, aos 68 anos.
Legado:
Na literatura infantil reúne algumas das
seguintes obras: O País das Pessoas de Pernas para o Ar (1973), Os Dois Ladrões (1983), O
Pássaro da Cabeça (1983), Os Dois Ladrões (1983), Histórias com Reis, Rainhas,
Bobos, Bombeiros e Galinhas (1984), O Inventão (Prémio Gulbenkian: Melhor Livro
Publicado em Portugal em 1986/1987), O Tesouro (1993), O Meu Rio é de Ouro
(1995), Nenhuma Palavra e Nenhuma Lembrança (2000), entre outras.
Publicou também os volumes de poesia Ainda Não é o Fim nem o Princípio do Mundo Calma é Apenas um Pouco Tarde, Aquele que Quer Morrer (1978, Prémio Casa da Imprensa), A Lâmpada do Quarto? A Criança? (1981), Nenhum Sítio (1984), O Caminho de Casa (1988), Um Sítio Onde Pousar a Cabeça (1991), Algo Parecido com Isto da Mesma Substância (Poesia reunida, 1974/1992) (1992), Farewell happy fields (1993), Cuidados Intensivos (1994), O Anacronista (1994, Prémio Nacional de Crónica Press Club/Clube de Jornalistas), Aniki-Bobó (1997).
Informação retirada deste site.
Um dos poemas que mais gostamos:
A
um Homem do Passado
“Estes são os tempos futuros que temia
o teu coração que mirrou sob pedras,
que podes recear agora tão fundo,
onde não chegam as aflições nem as palavras duras?
Desceste em andamento; afinal era
tudo tão inevitável como o resto.
Viraste-te para o outro lado e sumiram-se
da tua vista os bons e os maus momentos.
Tu ainda tinhas essa porta à mão.
(Aposto que a passaste com uma vénia desdenhosa.)
Agora já não é possível morrer ou,
pelo menos, já não chega fechar os olhos.”
Manuel António Pina, in "Nenhum Sítio"
o teu coração que mirrou sob pedras,
que podes recear agora tão fundo,
onde não chegam as aflições nem as palavras duras?
Desceste em andamento; afinal era
tudo tão inevitável como o resto.
Viraste-te para o outro lado e sumiram-se
da tua vista os bons e os maus momentos.
Tu ainda tinhas essa porta à mão.
(Aposto que a passaste com uma vénia desdenhosa.)
Agora já não é possível morrer ou,
pelo menos, já não chega fechar os olhos.”
Manuel António Pina, in "Nenhum Sítio"
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